'Economist': Petróleo mostra que 'Deus pode mesmo ser brasileiro'
“ Reportagem publicada na edição desta semana na revista britânica The Economist comenta a descoberta do campo de petróleo de Tupi, num país já farto em recursos naturais, afirmando, com ironia, que “Deus pode mesmo ser brasileiro, afinal”. ”
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Revista comenta posição do país sobre energias alternativas. |
“As florestas do Brasil são maiores do que as de qualquer outro. Seu solo é tão fértil que algumas árvores chegam à plena maturidade mais rápido do que as pessoas. Debaixo de seu solo há enormes depósitos minerais que são a matéria prima para o crescimento chinês de dois dígitos. O Brasil já está no caminho para se tornar uma superpotência da energia alternativa”, lista a revista.
“E como se provasse o dito popular de que ‘Deus é brasileiro’, agora parece que há bilhões de barris de petróleo a mais do que se pensava antes sob as águas profundas da costa brasileira”, diz a reportagem.
A Economist observa que a exata dimensão do novo campo ainda é desconhecida, mas que se as estimativas da Petrobras estiverem corretas, já seria maior do que todas as reservas da Noruega e representam a segunda maior descoberta de petróleo no mundo em duas décadas.
Reforço na economia
A reportagem relata as dificuldades técnicas para a extração do petróleo de Tupi, debaixo de uma grossa camada de sal, mas afirma que “é razoável assumir que a economia brasileira e sua moeda terão um reforço quando o petróleo começar a fluir, como é esperado, em 2010”.
“A descoberta pode também mover a balança de poder na América do Sul mais ainda em favor do Brasil”, diz o texto “Já auto-suficiente em petróleo, o Brasil deve agora se tornar um exportador significativo. Isso pode reduzir a influência na região do rico em petróleo presidente da Venezuela, Hugo Chávez”, afirma.
A revista comenta, porém, que “em meio à euforia”, houve suspeitas sobre o momento escolhido para o anúncio da descoberta da Petrobras. “Menos de uma semana depois, a companhia anunciou resultados financeiros ruins, com um lucro 22% mais baixo comparado com o mesmo trimestre do ano anterior”, diz o artigo.
A revista observa ainda que a Petrobras também enfrenta “crescentes dificuldades para suprir gás natural às usinas termelétricas, especialmente desde a quase-nacionalização dos seus campos na Bolívia, no ano passado”. “Algumas pessoas vêem o anúncio sobre o campo de Tupi como uma tentativa de desviar a atenção sobre isso”, diz o texto.
 
Lula ocupou espaços e 'comeu a oposição', diz 'El País'
“ Graças à sua “capacidade para intuir o que o público quer ouvir”, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva acabou “comendo a oposição, ocupando todos os espaços”, afirma texto de análise publicada nesta sexta-feira na edição online do diário espanhol El País. ”
Um líder oposicionista do PSDB que pediu para não ser identificado disse ao jornal que seu partido está em crise de identidade, porque Lula foi se apropriando das bandeiras do partido.
“A oposição chegou a reconhecer que ‘é difícil se opor a um líder como Lula, que tem do seu lado a grande massa de pobres do país’”, afirma o jornal, acrescentando que “o presidente é tão consciente disso que em um momento delicado de seu mandato chegou a ameaçar a oposição com ‘levar o povo às ruas’”.
O jornal diz que “o ex-torneiro mecânico, fundador do Partido dos Trabalhadores (PT), que o levou ao poder em 2002 sob as consignas da esquerda tradicional, soube ganhar praticamente todas as forças políticas, desde a direita até a extrema esquerda”.
“Hoje, 11 partidos apóiam seu governo, o que garante a ele a maioria do Congresso, ainda que às vezes deva pagar por isso um preço muito alto: dada a escassa fidelidade dos deputados e senadores brasileiros a seus respectivos partidos, costumam ser seduzidos com cargos ou ajudas financeiras para seus respectivos colégios eleitorais”, afirma o artigo.
Migração
O jornal observa que mesmo o Democratas (DEM), antigo PFL, que tem sido “o mais difícil de domar por Lula”, sofreu baixas de congressistas que migraram para os partidos da base do governo e teve sua força reduzida.
“O outro grande partido da oposição, o PSDB, viu seu campo invadido por Lula, que herdou sua política econômica neoliberal de contenção de inflação, câmbio flutuante e rigor fiscal”, diz o diário.
O artigo diz que “Lula inclusive ironiza sobre a oposição, dando a entender que seus deputados têm um preço, já que sempre podem acabar sendo comprados para que votem suas propostas no Congresso em troca de algum tipo de ajuda”. “E isso, apesar de que ninguém esqueceu ainda que em 2005 a política do PT de subornar os partidos da oposição o colocou à beira da destruição”, afirma o jornal.
Margem para a oposição
O artigo questiona então se haveria alguma margem para a oposição. “Segundo os analistas independentes, a oposição somente poderia fazer frente a Lula com algo que ele não possui, apesar de uma popularidade tão enorme que às vezes beira o populismo: um projeto de país de longo prazo”, diz.
“Somente assim a oposição poderia propor uma alternativa ao lulismo, que corre o risco de se perpetuar no poder ao estilo do Partido Revolucionário Institucional (PRI) do México”, afirma o artigo, em referência à agremiação que governou o México por 71 anos.
O jornal comenta que, segundo os analistas, “a oposição poderia apresentar como alternativa uma democracia parlamentar, sem resquícios para os golpes de efeito populistas, com instituições sólidas, com partidos fiéis a suas ideologias, com poderes independentes e bem definidos, e com uma luta sem trégua à corrupção e à violência”.
“E alertam que um país sem oposição pode, no longo prazo, criar maiores riscos do que uma ditadura, já que se desvanecem os estímulos para lutar para mudar sua situação”, conclui o artigo.
 
Painel da ONU alerta para mudança 'irreversível' do clima
Pablo Uchoa
Enviado especial a Valência (Espanha)
“ O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) concluiu nesta sexta-feira, em Valência (Espanha), seu relatório político sobre o estado do clima no planeta, alertando para impactos "irreversíveis" caso os governos não tomem medidas concretas contra o aquecimento global. ”
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Prêmio Nobel fortaleceu impacto de relatórios do painel da ONU. |
O documento final – que terá grande peso nas negociações sobre o clima que ocorrem daqui a um mês em Bali, na Indonésia – contém um trecho que foi questionado pelos Estados Unidos em negociações que se arrastaram diversas vezes até depois das dez horas da noite.
Em inglês, a frase afirma que "as atividades humanas podem levar a impactos e mudanças climáticas abruptas e irreversíveis". Na quarta-feira, a delegação americana manifestava objeções e tentava retirar o trecho do relatório.
Os Estados Unidos, que não ratificaram o Protocolo de Kyoto e foram acusados de tentar minar as discussões sobre o clima na reunião do G8, na Alemanha, são apontados como partidários de "suavizar" também as conclusões do IPCC.
Quanto mais forte a linguagem utilizada pelo IPCC, mais pressão os governos sofrerão para adotar medidas urgentes contra a mudança climática.
Na abertura da conferência do IPCC, na segunda-feira, o chefe da Agência de Mudanças Climáticas das Nações Unidas (UNFCCC, na sigla em inglês), Yvo de Boer, disse que não agir neste sentido seria "criminoso".
Conclusões
Por ser em última instância um órgão governamental (o IPCC é formado por cientistas reconhecidos, indicados por governos), o painel da ONU emite conclusões que os executivos não podem simplesmente ignorar depois.
Depois que o IPCC recebeu o prêmio Nobel da Paz junto com o ex-vice-presidente americano Al Gore, hoje um ativista ambiental, a opinião pública e a atenção da mídia aumentaram a pressão para que os alertas contra o aquecimento global sejam levados a sério.
Em Valência, nenhum governo questionou a base científica de que a ação humana emite gases que causam o efeito estufa e são responsáveis pela maior parte do aquecimento global nos últimos 50 anos.
Além disso, novas pesquisas permitiram aos cientistas do IPCC afirmar que a temperatura da Terra pode subir entre 1,1ºC e 4ºC até 2100, com o derretimento das camadas polares fazendo os oceanos se elevarem entre 18 cm e 58 cm no período.
Ao falar dos impactos da mudança climática, o painel chancelou a hipótese de que uma elevação de 2ºC na temperatura da Terra colocará em risco de extinção um terço das espécies do mundo, modificando o meio ambiente planetário de maneira tal que 1 bilhão de pessoas estarão vulneráveis à fome, à sede e a doenças.
O IPCC apresenta a recomendação dos especialistas de estabilizar a emissão de gases que causam o efeito estufa até 2030, e reduzi-la até 2050. Neste contexto, o relatório destaca a importância de medidas como a adoção de energias limpas e de biocombustíveis, como o etanol brasileiro.
Em relação ao Brasil, os relatórios técnicos do IPCC chancelam o alerta de que a Amazônia corre risco de virar parcialmente uma savana se continuarem as atuais políticas públicas.
Mas a menção à maior floresta tropical do mundo foi retirada dos documentos políticos, porque havia poucas informações disponíveis sobre o impacto do aquecimento na região. Para seu relatório deste ano, o IPCC só considerou estudos até o fim de 2004.
Compromisso
No passado, cada relatório científico do IPCC ecoou na classe política para criar compromissos ambientais mundiais.
O primeiro, publicado em 1990, levou à criação da Convenção da ONU contra a Mudança Climática, durante a Conferência da Terra, ou simplesmente Eco-92, realizada em 1992 no Rio de Janeiro.
A segunda avaliação do IPCC, de 1995, foi a base científica utilizada para a criação, dois anos depois, do Protocolo de Kyoto, que estabeleceu metas de redução de emissões de gás carbônico para os países industrializados.
Entretanto, o documento não foi assinado pelos Estados Unidos, o país que exibe a maior taxa de emissões per capita.
Em 2001, o IPCC publicou um terceiro relatório em que destacava a influência da ação humana sobre o aquecimento global. A expectativa é de que a relutância política de governos nacionais em combater a mudança climática seja vencida pela comprovação dessa hipótese com um grau de certeza ainda maior neste novo relatório.
 
Mais de 40% não consideram a Aids fatal, diz pesquisa
“ Uma pesquisa realizada em nove países revelou que mais de 40% das pessoas não consideram a Aids uma doença fatal ”
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Muitos dos entrevistados acreditam que existe cura para a Aids. |
A pesquisa realizada pelo MAC Aids Fund, o braço filantrópico da empresa de cosméticos MAC, pertencente ao grupo Estée Lauder, ouviu cerca de 500 pessoas nos Estados Unidos, na Grã-Bretanha, na França, na Rússia, na China, na Índia, na África do Sul, no México e no Brasil.
Segundo os pesquisadores, muitos dos entrevistados acreditam que a Aids tem cura. Esse percentual chegou a 59% na Índia.
O levantamento também revelou que cerca de metade das pessoas acredita que a maioria dos portadores do vírus HIV (causador da Aids) recebem tratamento - quando, na verdade, no ano passado apenas uma em cada cinco pessoas que necessitava de tratamento teve acesso.
Nos nove países pesquisados, a maioria dos entrevistados disse não se sentir à vontade em interagir com portadores do HIV.
Apesar do preconceito, a maioria das pessoas acredita que todos os segmentos da população correm risco de contrair o HIV e três em cada cinco entrevistados reconheceram que pessoas "responsáveis" também estão sujeitas a contrair o vírus.
Segundo a pesquisa, 85% das pessoas acreditam que o estigma e a vergonha são fatores que contribuem para a propagação do vírus HIV, e 76% disseram que a falta de acesso a tratamento também é um problema.
Brasil
A pesquisa revelou que 73% das pessoas acreditam que um dos problemas que contribuem para a disseminação do HIV é a dificuldade das mulheres em discutir sexo seguro com seus parceiros, apesar de estar provado que o uso de preservativos é eficiente na prevenção da doença.
Os entrevistados no Brasil consideraram essa dificuldade das mulheres o mais importante de todos problemas que contribuem para a disseminação do vírus.
"Hoje, mais de 25 anos depois do surgimento da doença, é chocante perceber que (...) muitas pessoas ainda não se deram conta da realidade inegável de que o HIV/Aids permanece uma das principais causas de morte globais", disse Nancy Mahon, diretora-executiva do MAC Aids Fund. "Estigmas sociais que nos afligiam naquela época continuam a limitar o progresso (na luta contra a doença)."
No entanto, segundo Mahon, os resultados dessa nova pesquisa podem ajudar a melhorar as políticas de combate, prevenção e tratamento da Aids.
A empresa reuniu um grupo de especialistas em Nova York para discutir os resultados da pesquisa.
 
Cientistas dizem estar perto de 'ler' pensamento
“ Cientistas dos Estados Unidos anunciaram que podem estar muito próximos de "traduzir" o pensamento de um homem que perdeu a fala após um acidente de carro. ”
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Cientistas implantaram eletrodos nas áreas que controlam fala. |
Segundo artigo na revista New Scientist, os pesquisadores da Universidade de Boston implantaram eletrodos no cérebro do paciente, Eric Ramsay, que está paralisado, mas consciente, há oito anos.
Os eletrodos registraram impulsos nas áreas do cérebro envolvidas na comunicação verbal.
Agora, os cientistas devem usar os sinais gerados para criar um software que traduz os pensamentos em sons.
Apesar de os dados ainda estarem sendo analisados, os pesquisadores acreditam que poderão identificar corretamente os sons que o cérebro de Ramsay estaria formulando, em 80% dos casos.
"Esperamos que este estudo abra um novo caminho para descobertas", disse Joe Wright, da Neural Signals, que ajudou a desenvolver a tecnologia utilizada.
"Temos a esperança de levar o paciente a um nível de conversação, mas ainda estamos bem longe disso", admite.
'Emocionante'
Especialistas em neurociência concordam que a experiência é um avanço emocionante.
"Os resultados obtidos nos Estados Unidos não saíram completamente do nada", disse Geraint Rees, neurocientista da University College London (UCL). "Já vínhamos avançando no sentido de decodificar o vocabulário primitivo. Mas este é certamente um capítulo interessante."
Rees, no entanto, critica o uso de eletrodos dentro do cérebro. "Essas técnicas invasivas, em que algo está introduzido no cérebro, sempre trazem riscos", afirmou.
Para os especialistas, a leitura do pensamento ainda está longe de ser alcançada.
"Existe uma grande diferença entre uma técnica como esta, que pega os sinais que o paciente deseja que sejam pegos, e ser capaz de entrar na mente de uma pessoa", explicou John Dylan Haynes, do Instituto Max Planck para Ciências Cognitivas e do Cérebro, localizado em Leipzig, na Alemanha.
"É muito emocionante estarmos começando a conseguir traduzir alguns pensamentos simples, mas ainda estamos longe de ter uma máquina capaz de ler pensamentos."
 
Cientistas criam primeiros embriões clonados de macaco
“ Cientistas nos Estados Unidos conseguiram pela primeira vez criar embriões clonados de um macaco adulto e extrair deles células-tronco, usando um sistema pioneiro que pode levar ao desenvolvimento da clonagem para fins terapêuticos e reprodutivos em humanos. ”
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Os cientistas americanos criaram dezenas de embriões. |
A equipe criou dezenas de embriões clonados a partir de um macaco rhesus macho de dez anos de idade, tirando deles as células-tronco. Até agora, só havia sido possível criar células-tronco embrionárias a partir de camundongos.
Durante o processo de clonagem, o DNA de um óvulo é removido e substituído pelo material genético do núcleo de outra célula, que será clonada. Nesse processo, para enxergar melhor o material genético dos óvulos, os cientistas às vezes usam pigmentos ou um sistema de visualização que expõe o material a raios ultravioleta.
Mas os pesquisadores – liderados pelo cientista Shoukhrat Mitalipov, da Universidade de Saúde e Ciência do Estado americano do Oregon – trabalharam com a hipótese de que essas formas de visualizar o material genético poderiam danificar o óvulo.
Eles optaram por empregar então uma técnica que usa luz polarizada para visualizar as células, e descobriram que isso aumentou a taxa de sobrevivência dos clones.
Baixo sucesso
Há anos, as pesquisas com clonagem enfrentam o problema da baixa taxa de sucesso na criação dos embriões clonados - para se obter apenas um são normalmente necessários dezenas de tentativas.
Mesmo na pesquisa de Shoukhrat Mitalipov foram necessários 304 óvulos para criar apenas duas linhagens de células-tronco.
Segundo Alan Trounson, cientista da Universidade Monash, na Austrália, o estudo de Mitalipov representa um avanço há muito esperado pela comunidade científica, já que prova que o conceito de clonagem a partir de células adultas pode ser aplicado a primatas, como já foi aplicado a outros mamíferos.
“Nós podemos avançar agora e considerar o que pode ser conquistado em humanos”, disse.
Cientistas já haviam tentado antes, sem sucesso, clonar primatas, animais geneticamente próximos do ser humano. Em 2003, um pesquisador anunciou que havia fracassado na tentativa de criar clones de macacos após 716 tentativas.
Em 2004 uma equipe da Coréia do Sul anunciou que tinha criado os primeiros embriões humanos clonados e extraído células-tronco destes embriões. Mas a pesquisa foi contestada quando foi revelado que o autor do estudo, Hwang Woo-suk, tinha falsificado o trabalho.
O único outro exemplo de criação de um clone embrionário humano ocorreu na Universidade de Newcastle, na Grã-Bretanha. Mas os clones sobreviveram por apenas alguns dias e não produziram nenhuma célula-tronco.
Clonagem reprodutiva
A equipe de Mitalipov também estudou se a nova técnica poderia ampliar as chances de sucesso de clonagem reprodutiva dos macacos rhesus, mas não obtiveram nenhum caso de sucesso após implantar 77 embriões clonados em fêmeas.
Também nesse caso, a taxa de sucesso costuma ser pequena. Para criar a ovelha Dolly – o primeiro mamífero clonado da história, em 1996 – foram necessárias 277 tentativas.
As células-tronco podem se desenvolver criando qualquer tipo de tecido e ser usadas em transplantes e tratamentos de doenças como diabetes ou o mal de Parkinson sem risco de rejeição.
Com as células-tronco dos rhesus, o grupo de pesquisadores americano conseguiu criar células maduras do coração e células nervosas.
A pesquisa foi divulgada na versão online da revista Nature.
 
Policiais brasileiros precisam ganhar mais, diz relator da ONU
Denize Bacoccina
De Brasília
“ O enviado especial da Organização das Nações Unidas (ONU) para investigar as execuções extrajudiciais no Brasil, Philip Alston, disse que o país precisa aumentar os salários dos policiais para que eles não se sintam estimulados a arrumar um segundo emprego e a participar de “grupos de extermínio”, “esquadrões da morte” e “milícias” para complementar o pagamento. ”
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Alston foi enviado ao Brasil para investigar execuções extrajudiciais. |
O grande número de policiais mortos quando não estão em serviço é uma indicação, na avaliação dele, de que eles pudessem estar envolvidos em atos ilegais quando foram assassinados.
Ele cita o fato de que no Rio de Janeiro 146 policiais foram mortos no ano passado, dos quais apenas 29 quando estavam de serviço. “Uma proporção significativa dos 117 restantes tem uma grande chance de estarem envolvidos em atividades ilegais quando foram mortos”, afirmou.
Alston ficou 11 dias no Brasil investigando execuções extrajudiciais, que na definição dele são mortes cometidas por agentes do Estado à margem da lei – as mortes de policiais não foram investigadas porque, na avaliação do enviado da ONU, o Estado tem a obrigação de proteger seus agentes.
Alston é professor de Direito da Universidade de Nova York e tem liberdade para escrever seu relatório, sem que ele tenha de ser aprovado pela ONU.
Atos de resistência
O enviado da ONU esteve nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Pernambuco e conversou com dezenas de testemunhas, familiares de vítimas, organizações de defesa dos direitos humanos e integrantes dos governos federal e dos Estados.
O especialista investigou os crimes classificados pela polícia como atos de resistência ou resistência seguida de morte e concluiu que, em muitos casos, não houve troca de tiros ou as pessoas não tiveram a oportunidade de se render.
A ação mais urgente a ser tomada pelo governo para mudar esta situação, na avaliação dele, é mudar a classificação automática dessas mortes como atos de resistência e investigar todos os casos.
“É preciso reclassificar esses casos e, ao mesmo tempo, aumentar o papel do Ministério Público desde o início das investigações”, afirmou Alston.
Rio de Janeiro
O relatório final só será divulgado em março do ano que vem, com recomendações específicas em todas as áreas que o governo precisa atuar para resolver o problema das execuções extrajudiciais.
Alston criticou vários aspectos gerais da legislação e dos procedimentos policiais e judiciais brasileiros, mas as críticas mais específicas, no relatório preliminar e na entrevista coletiva que concedeu nesta quarta-feira, estão reservadas à polícia do Rio de Janeiro.
Ele critica fortemente a operação da polícia do Rio no Complexo do Alemão, em 27 de junho deste ano, quando a polícia entrou com 1.350 homens no local, numa ação que resultou na morte de 19 moradores da favela e apreensão de armas e drogas.
O enviado da ONU disse que não recebeu “uma resposta satisfatória” das autoridades com quem conversou sobre a data escolhida para a ação. “Eu concluí que a operação foi conduzida por razões políticas para dar a impressão de que a polícia é dura com o crime”, afirmou. “Mas este tipo de ação não aumenta a segurança. Pode aumentar a avaliação da opinião pública.”
Direitos humanos
Alston conversou com testemunhas e familiares de oito mortos na operação e disse que ficou convencido de que muitos deles não tiveram a chance de se render nem estavam armados em condições de trocar tiros com a polícia. Ações deste tipo, na avaliação dele, são “uma boa maneira de criar o ódio e o ressentimento”.
Alston não foi recebido pelo governador do Rio, Sérgio Cabral, que alegou que o enviado da ONU não havia solicitado um encontro com ele. Nesta quarta-feira, ele afirmou à imprensa que fez o pedido por fax, com antecedência. “Claramente o governador estava ocupado nos dias em que eu estive no Rio”, disse.
Contrariando a crítica que se faz comumente no Brasil, de que os direitos humanos ocultam a proteção de bandidos, Alston disse que a lei de direitos humanos “não apenas proíbe os governos de cometer execuções extrajudiciais, mas também exige que os governos protejam as pessoas dos criminosos”.
“A segurança humana é parte, não está em competição, com os direitos humanos”, afirmou. “Uma polícia que funciona bem está na linha de frente a defesa dos direitos humanos”, disse ele.
 
Especial 'Guia de energia Global'
INTRODUÇÃO
A demanda global por energia aumentou nos últimos 150 anos, acompanhando o desenvolvimento industrial e o crescimento populacional. Especialistas prevêem que a sede por energia deve continuar a crescer em ao menos 50% até 2030, à medida em que países em desenvolvimento como a China e a Índia procurarem manter seu rápido crescimento econômico.
As maiores fontes da energia mundial (responsáveis por cerca de 80% da energia consumida no mundo no momento) são o carvão, o petróleo e o gás natural - os chamados "combustíveis fósseis" por terem surgido séculos atrás a partir de restos de plantas e animais mortos, ricos em carbono. No entanto, essas são fontes que um dia vão se esgotar.
Nas últimas décadas, também tem aumentado a preocupação sobre o impacto ambiental desses combustíveis. Os maiores especialistas em clima alertam que as emissões de gases do efeito estufa, criados pela queima de combustíveis fósseis e por outras atividades humanas, precisam ser reduzidas substancialmente para evitar mudanças climáticas perigosas.
A pressão para substituir os combustíveis fósseis colocou em evidência as chamadas fontes renováveis de energia - como, por exemplo, o Sol e os ventos. Mas elas também enfrentam desafios: as tecnologias viáveis ainda estão se desenvolvendo, e os custos de instalação tendem a ser altos. Essas fontes de energia não devem conseguir uma fatia muito significativa do mercado dentro dos próximos 25 anos.
Combustíveis fósseis
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A queima de carvão é uma das principais fontes de emissão de CO2. |
CARVÃO - O principal combustível associado com a Revolução Industrial continua sendo uma fonte de energia essencial.
A produção de carvão mineral em todo o mundo cresceu 65% nos últimos 25 anos. As reservas são abundantes, e estima-se que durem pelo menos mais 164 anos - mais do que o petróleo ou o gás natural. O carvão supre 24% das necessidades primárias de energia mundiais, e é a maior fonte única para a eletricidade no planeta (40%). Mas ele também é o combustível que emite mais gases poluentes proporcionalmente, levando-se em conta a energia que produz).
PETRÓLEO - Apesar de conhecido há muitos séculos, só começou a ser usado como combustível recentemente.
Desde o desenvolvimento dos processos de refinaria e o início do boom comercial, há 150 anos, o petróleo assumiu um papel central na economia mundial. Além de ser usado para mover carros, aviões e navios, e para aquecer casas e escritórios, ele também fornece matéria-prima para plásticos, produtos químicos, fertilizantes e tecidos. Ele responde por 6,9% da geração de energia elétrica. A cotação do petróleo vem atingindo altas recordes no mercado internacional desde 2005, por causa da instabilidade em áreas onde ele é mais extraído e por sinais de que os suprimentos podem estar se esgotando.
GÁS NATURAL - É encontrado em bolsões próprios, ou em depósitos de carvão e petróleo. Sua queima é menos poluente que a do petróleo e do carvão, pois ele produz menos dióxido de carbono que esses outros combustíveis. Sua contribuição para a demanda primária total de energia deve subir em 25% até 2030. Ele é uma importante fonte para a geração de energia e a produção industrial. O gás liquefeito e comprimido também é usado em veículos.
Energia nuclear
FISSÃO - A fissão nuclear a base do atual sistema de produção de energia desse tipo. Ela envolve a divisão dos núcleos de certos isótopos como o urânio-235, durante a qual é liberada grande quantidade de energia. Reatores nucleares comerciais começaram a funcionar nos anos 50 e, atualmente, os cerca de 440 que existem respondem por mais de 15% da energia global. Apesar de prometer energia limpa e abundante, a indústria nuclear enfrenta resistência por parte da opinião pública por causa de acidentes (como o de reator de Chernobyl, em 1986) ou devido à dificuldade de se lidar com o lixo nuclear. Entretanto, com o aumento dos preços dos combustíveis fósseis e a pressão cada vez maior para que diminua a poluição ligada às mudanças climáticas, alguns países contemplam a possibilidade de expandir sua capacidade de produção desse tipo de energia.
FUSÃO - Esse sistema parte do princípio de que energia é liberada ao se forçar a união de dois núcleos atômicos com menor massa, em vez de dividir um maior. É o processo que cria a energia nas estrelas. Alguns acreditam que a fusão nuclear irá um dia produzir uma alternativa limpa aos combustíveis fósseis, permitindo criar grande quantidade de energia usando combustíveis abundantes, como água e lítio, sem produzir poluentes como subproduto. No entanto, ainda existem muitas dificuldades científicas e técnicas a se resolver antes de essa tecnologia estar disponível para uso comercial - o que não deve ocorrer antes de 2045 ou 2050.
Energias hidrelétrica e eólica
HIDRELÉTRICA - É a principal forma de produção renovável de energia hoje em dia. Ela se fundamenta no aproveitamento da água, que é canalizada para uma turbina e a movimenta, o que alimenta um gerador.
Existe um gasto significativo na construção inicial da usina e da represa, mas a energia hidrelétrica é barata, não tem a desvantagem de produzir dióxido de carbono nem depende da variação dos preços e da oferta de combustíveis. Em 2003, quase 16% da energia produzida no mundo vinha de usinas hidrelétricas. Trata-se do principal tipo de energia produzida no Brasil para uso em residências e escritórios.
EÓLICA - A energia eólica é atualmente a segunda mais comum forma de energia renovável, só perdendo para a hidrelétrica.
As turbinas, geralmente com dezenas de metros de diâmetro, não poluem e são fáceis de construir. Elas podem ser instaladas tanto em terra quanto no mar, mas a produção de energia depende da existência de ventos. Os críticos também dizem que as turbinas prejudicam muito o panorama. A Europa é a região do mundo onde mais se aproveita a energia eólica.
Energias solar e maremotriz
SOLAR - O Sol é uma fonte de energia não-poluidora e renovável que pode ser aproveitada por meio das células fotovoltaicas. Instaladas em painéis, elas transformam os raios solares em energia. Os painéis já estão instalados em telhados de muitas casas e estabelecimentos comerciais em todo o mundo. Em uma escala maior, sistemas de energia solar foram construídos e estão sendo projetados em várias cidades de países como a Alemanha e os Estados Unidos. A solar é possivelmente a forma mais cara de energia renovável. No entanto, os custos estão caindo e, uma vez instalada, a energia é gratuita.
MAREMOTRIZ - Os oceanos têm um grande potencial energético não utilizado.
Pouco conhecidas no Brasil, as tecnologias de energia maremotriz são relativamente novas e pouco usadas, em comparação com as tecnologias para aproveitamento das energias solar e eólica. Os custos ainda são altos, o que significa que, pelo menos por ora, é improvável que essa tecnologia seja competitiva do ponto de vista econômico. Segundo o Departamento de Energia dos Estados Unidos, o potencial energético das ondas nas áreas costeiras é de entre dois e três milhões de megawatts. O sul da África, a Austrália e o norte do Canadá são algumas das áreas consideradas ricas em potencial maremotriz.
Outras fontes de energia
BIOMASSA - Um termo amplo, que abrange materiais não-fósseis de origem biológica que constituem uma fonte de energia renovável. Esse material de origem vegetal pode ser convertido em combustíveis. Alguns tipos de biomassa são mais usados hoje em dia, como os óleos vegetais, grãos e a cana-de-açúcar. Há cada vez mais carros em todo mundo que são movidos a biocombustíveis ou a uma mistura de biocombustíveis e combustíveis fósseis. O Brasil é o pioneiro mundial no uso do álcool combustível em larga escala. Em suas viagens internacionais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem procurado incentivar mais países a optar por essa alternativa energética.
GEOTÉRMICA - A energia geotérmica usa o calor do núcleo da Terra, que aquece rochas, fontes de água próximas da superfície ou lençóis subterrâneos, aproveitados com a perfuração de poços. Apenas 0,4% da capacidade de geração de energia no mundo é geotérmica. Na Islândia, água quente é encanada diretamente da natureza e usada no aquecimento das casas. Em vários outros países, como Estados Unidos, Japão e Nova Zelândia, a energia geotérmica também é utilizada.
HIDROGÊNIO - Embora o hidrogênio não seja uma fonte primária de energia (ou seja, ele tem que ser criado a partir de outros combustíveis), estudiosos acreditam que é uma grande promessa para o futuro. O hidrogênio é abundante e não polui. No entanto, a tecnologia para aproveitá-lo ainda tem problemas, e o hidrogênio é difícil de se transportar e armazenar.
ENERGIA DOS OCEANOS - Existe o potencial de se produzir energia se aproveitando a diferença de temperatura entre o fundo dos oceanos e a superfície, aquecida pelo Sol. Há uma estimativa de que menos de 0,1% da energia solar dos oceanos poderia saciar mais de 20% da demanda diária de energia dos Estados Unidos. Mas a tecnologia para aproveitar esse tipo de energia ainda está no futuro distante.
 
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